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Ética nos negócios Se o homem vivesse sozinho, indiscutivelmente ele tentaria levar alguma vantagem. É lógico que se não vivermos em sociedade (ermitão) não se precisa de ética, porque ela deve ser aplicada na relação com outras pessoas ou na vivência e convivência em sociedade. Mas será que hoje a ética é usada com deve ser? Sua empresa tem um código de ética e o aplica, além de pendurá-lo no hall de entrada? Conforme o meu professor Alcelmo Pereira de Oliveira, mestre em filosofia junto à Universidade do Oeste de Santa Catarina (Unoesc), a ética representa um elemento mediador das práticas e incentiva os indivíduos a constituírem um comportamento ético capaz de nortear e regular a sociedade no sentido de encontrar um contexto de respeito as questões basilares que dizem respeito ao homem. Portanto, não se pode viver e conviver sem a ética e isto se aplica desde a sociedade familiar até a mercantil. Ela, ao meu entender, nasce com o homem, o qual a desenvolve de acordo com as suas necessidades e desejos, os quais muitas vezes ultrapassam os limites, adentrando no espaço dos outros e daí a necessidade de ter-se um código de ética para que possa impor respeito, direitos e obrigações entre os homens. Caso contrário, ou como muito ainda se observa, o mais forte impera a sua ética, a qual chama-se força e poder. Mesmo o capitalismo que se diz ético, o é aos acionistas, aos fornecedores e aos clientes, mas esquecem dos seus colaboradores, dos seus funcionários (clientes internos). Tendo como objeto o comportamento humano perante a sociedade que vive, a ética de divide em ações individuais e coletivas. As individuais são os princípios (certo e o errado); as coletivas são todas as ações de um grupo social (ideais de justiça) e nos ajudam a entender o direito natural e o direito público, motivando o homem para regras coletivas, estimulando a democracia e cria a tolerância (palavra mágica). O maior problema na definição ou uso da ética chama-se abrir mão para as coisas que não sabemos o que vai acontecer, ou seja, é mais fácil deixar que algo acontece do que fazer a correção antecipada. Já houve casos em que determinadas fábricas preferiam deixar que os clientes reclamassem, que seria em pequena quantidade, do que consertar todos os produtos. O saudoso humanista e sociólogo Betinho disse que ética é um conjunto de princípios e valores que guiam e orientam as relações humanas e ele está certo porque seu conceito vem da práxis (conduta ética) e do objeto da ética, mas lembro que a ética não é igual para todos, principalmente tratando-se de costumes e tradições, sem esquecer a realidade cultural de cada um frente à sociedade. Diz Frédéric Rauth que o maior perigo para a vida moral não provém do egoísmo consciente do indivíduo, mas do egoísmo coletivo, sancionado pelas instituições e pelos códigos e que constitui a nossa atmosfera social. Ele estava se referindo às empresas mercantis e Cátia Rodrigues, em seu estudo diz que os empresários estão mais preocupados com seus consumidores e acionistas do que com os funcionários. E ela está certa, infelizmente. Já vi diversos códigos de éticas ou já ouvi diversos administradores dizerem que estão dentro da ética, mas para eles e não para a sociedade, pagar os impostos em dia é ético, mas é obrigação. Ser ético é ver se o que se paga condiz com o que se produz, entre outros. Max Weber diz que cada um é responsável pelo que faz, mas na hora da decisão ou entre duas decisões importantes, fica-se com a que melhor nos apraz, porque não se pode sacrificar o todo. Muitas vezes ocorrem demissões em massa, mas a empresa, geradora de impostos para uma sociedade permanece, mantendo esta mesma sociedade, decisão difícil, mas permanece a empresa, a qual ainda mantém milhares de empregos. A globalização faz isto e muitos não concordam, achando, por outro lado, falta de ética. Já Marx diz que a empresa não tem ética simplesmente por não valorizar o sujeito (trabalhador). E agora, você decide o quê? Voltando à ética nos negócios, a Universidade da Pensilvânia (EUA) identificou cinco motivações que induzem empresas e gestores frente a ética: - altos padrões éticos criam um ambiente de trabalho saudável; - empresas com tais padrões têm menos problemas de furtos, sabotagem, discriminações, produtos defeituosos e depredação das instalações; - empresas éticas desenvolvem relações de confiança mais estável e lucrativas com seus clientes; - minimizam-se riscos de escândalos que destroem companhias e carreiras; - confiança é fundamental nas transações comerciais eficientes e certamente o comportamento ético é necessário par manter a confiança. Costacurta Junqueira, vice-presidente do Instituto MCV, em seu trabalho de Considerações Sobre a Ética nos dá alguns indicadores quando uma empresa têm problemas éticos: - posterga deliberadamente pagamentos; - faz pagamentos errados ou não os paga; - vende o que não têm ou o que não pode entregar; - tem somente a preocupação de vender, sem se preocupar se o cliente tem a necessidade de comprar; - sempre procura fora novos elementos quando há abundância no quadro interno; - embaraça balanços e demonstrativos financeiros. Diz também que ser ético nos negócios significa: - a necessidade de obedecer regras relativas à ocupação territorial, costumes e expectativas da comunidade, princípios de moralidade, políticas da organização e atender à necessidade de todos por um com tratamento adequado e justo; - entender como os produtos e serviços de uma organização e as ações de seus membros podem afetar seus empregados, a comunidade e a sociedade como um todo (positiva ou negativamente). Aponta os erros mais comuns nas relações: - mentir sobre as atividades que administramos; - culpar meu superior por meus erros ou de meus subordinados; - divulgar informações pessoais e confidenciais sem autorização; - não reportar violações à legislação; - não reportar desempenho inferior às metas estabelecidas; - não reportar roubos ou uso inadequado dos equipamentos; - não atender as queixas e as reclamações; - encobri acidentes no trabalho ou problemas relativos à saúde ou segurança dos empregados; - usar idéias de outros como se fossem minhas. Poderia ficar citando muito mais, mas como o assunto é complicado e de difícil entendimento entre os que compõem uma sociedade e tratando-se de capital, fica a esperança que mais empresas adotem um código de ética e que todos – mas todos mesmo – sejam inseridos nele e que passem a construir uma sociedade mais humana e conseqüentemente, mais produtiva. Há princípios de ética, como o propósito ou missão, como o orgulho próprio de criar algo, como a paciência em esperar que aconteça no devido tempo sem que cabeças rolem ou sem que comunidades pereçam, como em se ter persistência neste ideal ético e na perspectiva de saber para onde e como vamos ir ou chegar em nossas metas, mas tê-los num quadro nada valem. (material retirado dos seminários de Negociação e de Vendas/Marketing do Instituto MCV) Finalizando, lute pela ética na nossa profissão - vendedor. Quer por maus vendedores (será que podem ser chamados de vendedores?), quer por empresas que somente enxergam um lado (o delas). Toda venda deve ser boa para 3 lados: a empresa, o cliente e aquele que a pratica. Já o estado, independente de uma venda ser boa, já garante o seu e ele também deve ter ética, mas este é assunto para outras linhas. Oscar Schild, vendedor, gerente de vendas e escritor |
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